O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, e o Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gimésio Cândido, defenderam, esta quarta-feira, em Maputo, a necessidade de ampliar a participação dos jovens nos espaços de decisão e de reconhecer as universidades como lugares de debate, formação de pensamento crítico e construção democrática.
Estes posicionamento foram expressos nesta quarta-feira, 19 de agosto, na sessão de abertura da conferência “Diálogos sobre Juventude e Democracia: Perspectivas Globais e Desafios para Moçambique”, que teve lugar no Campus da Lhanguene, da Universidade Pedagógica.
Na ocasião, Jorge Ferrão afirmou que os estudantes constituem uma geração que, no futuro, estará a dirigir os países, as economias e diferentes sectores da sociedade. Por isso, considerou fundamental que as universidades sejam espaços de preparação das novas lideranças e de reflexão sobre os desafios que afectam a juventude e o País.
O Reitor destacou igualmente a forma como os jovens das comunidades próximas reagiram durante as manifestações pós-eleitorais, que ocorreram nas imediações do Campus de Lhanguene. Segundo Ferrão, apesar da exposição do espaço universitário e dos rumores de possíveis actos de vandalismo, as instalações foram preservadas. Para o Reitor, tal demonstra que os jovens reconhecem a importância da Universidade como espaço de aprendizagem e de construção do futuro. “Este é um lugar respeitado e também um espaço de tranquilidade”, afirmou.
Ferrão chamou ainda atenção para os desafios de acesso ao ensino superior. Segundo o Reitor, cerca de 16 mil jovens moçambicanos inscrevem-se anualmente nas universidades, mas a capacidade de absorção é de aproximadamente 2.500 estudantes. “A nossa preocupação são os que ficam de fora”, afirmou, alertando para a falta de ocupação e de oportunidades que afecta muitos jovens que não conseguem ingressar no ensino superior.
Para o Reitor, as políticas de apoio à juventude devem ir além da concessão de benefícios aos estudantes que já conseguiram entrar na Universidade. “Dar uma oportunidade aos estudantes significa garantir-lhes acesso à Universidade”, sublinhou, defendendo maior investimento na expansão do ensino, na formação e na criação de oportunidades para os jovens.
Por sua vez, Gimésio Cândido afirmou que os jovens não devem ser chamados apenas para participar em actividades, mas devem ter um papel efectivo na definição das prioridades e na construção das soluções. “A democracia precisa de uma juventude que não seja apenas chamada a participar, mas que faça parte, tome parte e tenha parte nos processos que definem o presente e o futuro do nosso País”, declarou.
O Presidente da UNE defendeu que os jovens devem ser envolvidos na definição das prioridades, no desenho das soluções, na implementação, na monitoria e na avaliação das políticas e iniciativas que lhes dizem respeito. “Os jovens não estão aqui apenas para ouvir. Os jovens também estão aqui para falar, questionar, propor e liderar”, acrescentou.
Cândido chamou atenção para a diferença entre o peso demográfico da juventude e a sua presença nos espaços formais de decisão. Referindo-se a dados de um estudo do IMD de 2021, afirmou que a representação juvenil nas Assembleias Provinciais permanece abaixo dos 10%. “A representação juvenil não pode ser uma escada que usamos para subir e depois retiramos para que ninguém mais suba”, advertiu.
O Presidente da UNE destacou igualmente o papel das plataformas digitais na participação política contemporânea. Embora reconheça que estas permitem aos jovens mobilizar-se e defender causas, alertou para os riscos da desinformação, do discurso de ódio, da intimidação e da polarização. Para Cândido, a participação juvenil deve evoluir de uma presença simbólica para uma participação com verdadeira capacidade de influência.
As intervenções tiveram lugar no âmbito da conferência “Diálogos sobre Juventude e Democracia: Perspectivas Globais e Desafios para Moçambique”, que incluiu igualmente a disseminação de um documentário sobre o processo de paz e reconciliação em Moçambique e debates sobre juventude, democracia, cidadania digital e novas formas de participação cívica.
A conferência foi coordenada pelo IMD, em articulação com a UNESCO, o Ministério da Juventude e Desportos, a UNE, a Jendayi – Educação para a Democracia, a Associação MANAS e a Universidade Pedagógica de Maputo. A iniciativa enquadra-se nas Escolas para Democracia e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia, através do Programa Pro-Cívico & Direitos Humanos, e da União Europeia, através do Programa Pro-PAZ.











