IMD defende diálogo permanente 1O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) defende que a participação juvenil na democracia deve ser apoiada por espaços permanentes de escuta, diálogo e intervenção, capazes de transformar a voz dos jovens em influência efectiva nos processos de decisão. A posição foi apresentada pela representante do IMD, Graciete Carrilho, durante a sessão inaugural da Série de Diálogos sobre Juventude e Democracia. Segundo Carrilho, a iniciativa surge da necessidade de dar continuidade às preocupações, expectativas e propostas apresentadas pelos jovens na IX Conferência Nacional da Juventude, realizada recentemente em Pemba.

“Depois de ouvirmos os jovens, como continuamos a conversar com eles e sobre aquilo que lhes diz respeito”, questionou a representante, defendendo que o diálogo com a juventude deve prosseguir para além de encontros pontuais. “Democracia começa com diálogo”, sublinhou, recordando o lema do IMD.

Na perspectiva do Instituto, a democracia constrói-se também através da capacidade de ouvir diferentes sectores da sociedade, discutir divergências, reconhecer desacordos e procurar soluções. Para Graciete Carrilho, os jovens não devem ser envolvidos apenas como participantes ou beneficiários de iniciativas, mas como actores capazes de expressar as suas experiências, questionar as instituições, apresentar propostas e participar nas decisões que afectam o seu presente e o seu futuro.

IMD defende diálogo permanente 4“Queremos, portanto, falar com os jovens, mas também queremos falar sobre os jovens”, afirmou Carrilho, defendendo uma abordagem que combine a escuta directa das novas gerações com a reflexão intergeracional sobre o seu lugar na democracia moçambicana.

Graciete Carilho considera igualmente necessário discutir a participação juvenil à luz das transformações provocadas pelas plataformas digitais. Embora estas tenham ampliado as possibilidades de comunicação, mobilização e participação política, também colocam desafios relacionados com a desinformação, a intolerância e a polarização. Segundo Carrilho, é importante garantir que o espaço digital contribua para fortalecer uma participação democrática, plural e responsável.

Para o IMD, a sessão inaugural representa “um ponto de partida, e não um ponto de chegada”. De acordo com Graciete Carrilho, a Série de Diálogos deverá alargar progressivamente a discussão a temas como a participação política, o papel das lideranças juvenis, a tolerância, o pluralismo, a cultura e a construção da paz.

Carrilho defendeu igualmente que as universidades devem ocupar um lugar central neste processo, por serem espaços de debate, confronto de ideias e formação de pensamento crítico. A expectativa do IMD é que os diálogos permitam passar dos grandes conceitos para questões concretas sobre o tipo de democracia que se pretende construir e as condições necessárias para que a voz dos jovens se transforme em participação efectiva nas decisões.

A iniciativa foi coordenada pelo IMD, em articulação com a UNESCO, o Ministério da Juventude e Desportos, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Jendayi – Educação para a Democracia, a Associação MANAS e a Universidade Pedagógica de Maputo. A Série de Diálogos enquadra-se nas Escolas para Democracia e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia, através do Programa Pro-Cívico & Direitos Humanos, e da União Europeia, através do Programa Pro-PAZ.

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