O Governo moçambicano defende uma participação mais efectiva da juventude nos processos de decisão e considera que a consolidação da democracia e da paz depende da capacidade dos jovens para intervir de forma informada, responsável e construtiva na vida pública.
A posição foi expressa nesta quarta-feira, 19 de agosto, pelo Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, durante a conferência “Diálogos sobre Juventude e Democracia: Perspectivas Globais e Desafios para Moçambique”. Segundo o Ministro, num país em que mais de 65% da população tem menos de 35 anos, a juventude representa simultaneamente uma oportunidade e uma responsabilidade para o futuro nacional.
“A qualidade da nossa democracia será, cada vez mais, aquela que a juventude moçambicana souber e puder exigir, praticar e defender”, afirmou Caifadine Manasse, defendendo que os jovens devem deixar de ser vistos apenas como beneficiários de políticas públicas e passar a ocupar um papel activo na definição, implementação e avaliação das decisões que afectam as suas vidas.
Para o Governo, esta participação não se limita ao voto. Exige conhecimento sobre o funcionamento das instituições, capacidade de organização, envolvimento no debate público e disponibilidade para construir consensos. Esta exigência estende-se ao espaço digital, que se tornou um dos principais ambientes de informação, mobilização e participação política dos jovens, mas que também é marcado pela desinformação, pelo discurso de ódio e pela manipulação da opinião pública.
Neste contexto, o Ministro defendeu o reforço da educação cívica e da literacia mediática e digital, apelando aos jovens para que assumam responsabilidade sobre os conteúdos que produzem e partilham. “Cada partilha é uma escolha. Escolhamos a que constrói”, afirmou, sublinhando que a resposta à desinformação deve passar por cidadãos capazes de verificar a informação e distinguir os factos das opiniões e da mentira.
A intervenção do Ministro associou igualmente a participação juvenil à preservação da paz e da reconciliação nacional, defendendo que os jovens têm responsabilidades acrescidas na sua preservação. "A paz não é um estado natural que se mantém sozinho: é uma construção diária”, declarou.

O governante reconhece, contudo, que a participação democrática dos jovens é condicionada por problemas concretos, como o desemprego, as desigualdades sociais e geográficas, a pressão económica sobre as famílias e a falta de oportunidades de formação, cultura e desporto. Para Caifadine Manasse, uma democracia que não responde a estes desafios corre o risco de perder a confiança da juventude.
Como parte da resposta a estes problemas, o Ministro referiu iniciativas governamentais como o Portal da Juventude, o Programa Agora Emprega e o Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis. Defendeu ainda que o encontro deve produzir recomendações e compromissos concretos, advertindo que “não queremos que esta Conferência termine em aplausos”, mas em resultados que permitam envolver efectivamente os jovens na vida democrática do País.
A conferência integrou a Série de Diálogos sobre Juventude e Democracia e foi realizada em articulação com a UNESCO, o Ministério da Juventude e Desportos, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Jendayi – Educação para a Democracia, a Associação MANAS e a Universidade Pedagógica de Maputo. A iniciativa enquadra-se nas Escolas para Democracia e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia, através do Programa Pro-Cívico & Direitos Humanos, e da União Europeia, através do Programa Pro-PAZ, ambos implementados pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD).











