O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) defendeu neste sábado, 2 de maio, , na cidade da Beira, a necessidade de colocar as mulheres no centro das estratégias de construção da paz, gestão de crises e resposta aos desastres naturais, considerando que a liderança feminina é essencial para fortalecer a resiliência das comunidades em Moçambique.
A posição foi apresentada pelo Director Executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, durante a abertura da II Conferência de Mulheres Religiosas, Académicas, Políticas e da Sociedade Civil, realizada sob o lema “Fé, Paz, Acção e Resiliência: Fortalecendo a Liderança Feminina em Contextos de Conflitos e Desastres Naturais”. O encontro reúne mulheres de Moçambique e de países da região da SADC para debater soluções ligadas à paz, mudanças climáticas, governação inclusiva e reconciliação social.
Na sua intervenção, Mulhovo afirmou que a consolidação da democracia multipartidária em Moçambique depende da inclusão efectiva das mulheres nos processos de governação, mediação de conflitos e tomada de decisões públicas. Segundo explicou, os desafios enfrentados pelo país – desde tensões político-sociais até eventos climáticos extremos – exigem respostas mais inclusivas e participativas.
“A governação resiliente exige a integração do saber e da experiência feminina, particularmente no domínio da paz”, afirmou Mulhovo, acrescentando que as mulheres têm desempenhado um papel crescente como mediadoras comunitárias, facilitadoras de diálogo e promotoras de reconciliação nas comunidades afectadas por conflitos e crises humanitárias.
Na ocasião, Mulhovo destacou a dupla realidade enfrentada pelas mulheres em contextos de crise. Segundo ele, por um lado, são frequentemente as mais afectadas por deslocamentos, pobreza e violência baseada no género; por outro, assumem funções decisivas na organização comunitária, apoio humanitário e reconstrução social. “São as mulheres que lideram, que cuidam, que organizam, que mobilizam e que reconstruem”, afirmou Mulhovo, defendendo maior reconhecimento político e institucional da contribuição feminina nos processos de paz, segurança e resposta às emergências.

O encontro pretende fortalecer a participação feminina na prevenção de conflitos, gestão de riscos de desastres naturais e formulação de políticas públicas com perspectiva de género num contexto quem mulheres continuam sub-representadas nos espaços formais de tomada de decisão, apesar do seu papel central na resposta humanitária e na promoção da reconciliação social.
Durante os dois dias do encontro, as participantes debateramm temas relacionados com cuidado pastoral em contextos de trauma, adaptação às mudanças climáticas, participação política das mulheres, mediação de conflitos e criação de redes regionais de solidariedade na África Austral.
Alem do Director Executivo do IMD, a sessão de abertura da conferência contou com intervenções de altas figuras do Estado, líderes religiosos e representantes da sociedade civil, com destaque para a Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, o Secretário de Estado na Província de Sofala, Manuel Rodrigues, o Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, representantes do Conselho Cristão de Moçambique e do Conselho das Religiões de Moçambique.
O momento reuniu ainda participantes provenientes de diferentes províncias do país e delegações da África do Sul, Eswatini e Zâmbia, reforçando o carácter regional e multissectorial do debate sobre paz, liderança feminina e resiliência comunitária.
O evento é organizado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, em parceria com a Assembleia da República e o IMD, contando com apoio de parceiros nacionais e internacionais.











